f O nada existe

04/01/2018

Se passou, foi para jamais retornar

Domínio público


Costumamos nos apegar às pessoas sem importância alguma, deixando essas exercerem significativa influência em nossas vidas. Muitas vezes elas mal nos notam ou se importam com alguém além de seus próprios egos e, por assumirem sempre uma postura de superioridade quanto a nossa, torna o nosso desejo de fazer parte do seu círculo algo indiscutível e necessário. Porque o ser humano estima aquele que o desdenha.


Todos os dias tentamos de maneira insaciável conquistar a aprovação daqueles que nos desprezam e esquecemos de nos questionar se talvez aquele "mundinho" o qual buscamos nos encaixar realmente nos cabe. Será que fulano é digno dos seus esforços? Talvez você seja grande demais para se infiltrar ali e seu destino esteja no alcance de algo maior. Foi o que aprendi.


O mesmo ocorre com as coisas:


Sempre tive o hábito de guardar objetos insignificantes, pois, para mim, eles seriam úteis um dia. Tudo começou com brinquedos, adesivos de cadernos, folhas de partitura e até panfletos eram alojados com profunda estima. Nunca entendi essa necessidade de estar presa ao passado, contudo, antes de terminar o ano de 2017, precisei desfazer-me de vários e me assustei ao perceber que, na verdade, grande parte deles não detinha valor algum em minha vida.


Quando comecei a estudar música, aos doze anos, o meu primeiro instrumento foi o teclado. Na época os meus gostos eram completamente diferentes e me lembro de imprimir dezenas de partituras cujas músicas dizia que um dia saberia tocá-las. Esse dia chegou. Hoje, certamente as tocaria sem qualquer dificuldade, todavia, superei totalmente o meu antigo ideal de satisfação. Tive de jogar pelo menos duas pastas repletas de folhas, consideradas relevantes no passado, no lixo, pois precisava de espaço para as novas que realmente irei interpretar.


Além disso, meus desenhos não tiveram um destino diferente. Minha mãe disse que um dia irei desenhar tão bem que nem me lembrarei deles e pude constatar isso ao desfazer-me de dezenas de músicas que outrora sonhei em tocar.


Por que viver preso ao passado se você pode ir além daquilo que um dia almejou? Nada do que guardei possui qualquer sentido para mim hoje. Porque evoluí muito. Os livros que lia não me causam mais o mesmo apreço e as pessoas pelas quais sofri esperando um pouco de atenção são desprovidas de tudo aquilo que procuro alcançar. Os meus caminhos e objetivos mudaram, tudo graças à abnegação forçada, porquanto sou relutante com transições.


Não preciso mais daqueles adesivos, pois hoje os considero horríveis, não necessito mais daquelas partituras antigas de músicas que atualmente julgo como porcaria, não desejo mais a atenção de pessoas que hodiernamente eu mesma não as olharia, pois não são detentoras de coisa alguma que trate como interessante. Não me importo mais com a admiração que algumas vezes não recebo, porquanto são oriundas de quem jamais irá compreender a beleza estonteante daquilo que consigo enxergar.


Muitos dizem que as pessoas mudam, no entanto, não penso da mesma forma. Para mim, o ser humano apenas se mostra como sempre foi debaixo das máscaras que nos impedem de olhar a vivacidade de tudo o que é real. Por isso, aprendi a não temer o novo, mas me entregar a ele. Porque sempre me sinto bem ao contemplar o passado e perceber que não mudei, apenas me aproximei do que por toda vida fui interiormente.


Talvez seja uma visão extremamente voltada aos pensamentos de Platão, não importa. Apenas descobri o encanto quando não olhei para trás. O que passou, foi para jamais retornar.

01/01/2018

Primeiro post do ano: Expectativas que 2017 levou e metas que para 2018 traçou

Canva

Eu poderia escrever um texto sobre como esperei por 2018 e que agora finalmente é dia 01 deste tão aclamado ano, mas, não. É perfeitamente possível estarmos em 2017 se os nossos pensamentos ainda não mudaram e, honestamente, não sei como os meus estão agora. Estou com um baita medo de encarar novamente a faculdade, todavia, amo o fato de poder retornar ao mundo adulto e hostil que conheci em 2016, porque sinto saudades.


Será que vou gostar do curso que escolhi cursar? Será que os meus planos de cursar duas faculdades, ao mesmo tempo, irão funcionar? O ser humano é o que a educação faz dele, afirmou Immanuel Kant. Mas o que a educação fez de mim, que de tanto amor pelo conhecimento não sei o que desejo para o resto da minha vida? Só possuo a certeza de que não devo parar ou o corpo se acostuma com as pausas que a vida exige vez ou outra, tornando-as intermináveis. Ah! Como eu amo sofrer em semanas de provas, discutir em trabalhos de grupo e odiar os professores que não me deixam falar mais que eles na sala de aula!

Em 2017 aprendi que, apesar de às vezes não admirar o que faço, devo persistir, continuar. É apenas o que preciso manter em mente: Continue, Bianca, porque você não deseja estudar todas as matérias do ensino médio novamente para prestar vestibular, não é?

Então eu respondo ao meu próprio ego: Mas é claro que não!

@escritorabianca

Desenvolvimento por: Mariely Abreu | Alterações por: Bianca Vieira | Desde 20/11/2011 | Reinauguração: 01/01/2018 | ©. voltar ao topo